O código genético de Bloodborne é certamente dos mais respeitáveis. Afinal, o projeto conjunto da From Software e da Sony Japan Studios traz no comando Hidetaka Miyazaki, cujo trabalho incrivelmente original em Demon’s Souls não apenas deu início a uma franquia de sucesso quanto também trouxe novas direções à indústria de jogos de forma geral.
Bem, mas será que Bloodborne realmente faz jus aos seus antecessores “espirituais”? Aparentemente, sim. Após seu anúncio — acompanhado de um belo trailer — durante a última edição da feira E3 (Electronic Entertainment Expo), Bloodborne tem ganhado ainda diversos detalhes que fazem crer que Miyazaki realmente não perdeu a mão.
Afinal, há aqui tudo o que se poderia esperar do criador da série “Souls”: história misteriosa, gráficos sombrios (embora estranhamente convidativos) e uma precisão cirúrgica na hora de definir a dificuldade do título.
Uma ligação misteriosa entre Bestas e Caçadores
No que se refere à história, trata-se aqui da mesma mescla comprovadamente funcional entre “mostrar” e “não mostrar”. Basicamente, o seu caçador (ou caçadora) habita uma cidade particularmente sombria durante o século XIX. Trata-se da “Cidade Anciã de Yharnam”, conforme disse o criador do game em entrevista à revista japonesa Famitsu.
Yharnam se localiza ao lado de um pântano que envolve segredos de arrepiar a espinha. “Todos sabem que há uma doença terrível, conhecida como ‘A Doença da Besta’, e também que há áreas amaldiçoadas.” A referida doença faz com que diversos moradores infectados passem a ocupar as ruas da cidade — o que, de fato, se parece muito com uma horda de zumbis.
Mas há um complemento necessário, é claro. “Os caçadores seguram uma tocha em uma das mãos e uma arma na outra”, consta na referida publicação, a qual menciona ainda armas exclusivas e certa “ligação misteriosa” entre caça e caçadores.
“Há aqueles que queimam as carcaças de bestas gigantescas. Um festim cruel que se desvela sob um belo luar — mas o que essas pessoas tem em comum com as bestas?”, continua a matéria. “A resposta ainda é desconhecida.”
Batalhas "até a morte"
Sendo um título com a assinatura de Hidetaka Miyazaki, é natural esperar aqui boas doses de desafio — quer dizer, nada de matar abominações apertando apenas um único botão enquanto espera pela próxima animação. Entretanto, Miyazaki faz questão de frisar: altos níveis de dificuldade, por si, não são a resposta. É preciso haver certo senso de recompensa.
“Pelo lado da produção, nós queremos que os jogadores temam os monstros e sintam que participam de uma batalha até a morte”, disse Miyazaki em entrevista ao site 4Gamer. “Nós nos empenhamos muito na criação de interações e de expressões tendo essa finalidade — e um bom exemplo é a sanguinolência.”
Ele continua: “Entretanto, a meta não é apenas irritar os jogadores com inimigos feios e aterrorizantes, (...) mas torná-los aliviados e felizes com o fato de que conseguiram sobreviver [ao encontro]. Nós queremos que os jogadores digam ‘Isso foi perigoso! Eu não acredito que consegui sobreviver.” Trata-se, portanto, mais de “temer” o inimigo do que de ganhar uma enorme pedra no sapato.
Ademais, agora é esperar pelos próximos detalhes — embora, considerando-se o histórico da série “Souls”, é de se acreditar que muita coisa será explicada apenas durante o jogo. Bloodborne deve dar as caras durante o primeiro trimestre de 2015, exclusivamente para o PlayStation 4.
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